Coluna do Ed Bike – Desafio 200tão

Introdução

Parece irracional no primeiro momento alguém andar 20, 30, 40km. Partir para o 50km já é algo surreal.
Mas quando entra em jogo os benefícios para saúde, vencimentos de obstáculos, atingir objetivos, então entra o “Eu Posso”.
Pensamos muitas vezes negativamente ou damos ouvidos a mensagens negativas, que em vez de nos motivar, acabam nos colocando para baixo.
As realizações em toda a vida, sempre precisará de decisões corajosas e comprometimento. “Como realizarei algo se não ajo para tal”. Precisamos agir, precisamos sair da zona de conforto para buscar o que desejamos, seja em qualquer área. Será dolorido, talvez… o resultado final apontará se valeu a pena.
Desde que o mundo é mundo que, temos conhecimento de seres humanos que ultrapassam a sua zona de conforto e realizam coisas extraordinárias.
Aquela zona de conforto não é a máxima para deixá-lo inerte para as realizações destas. Podemos sim, realizar coisas extraordinárias, seguindo as coisas que já deram certo. Muitos exemplos bons existem para serem seguidos.
Faça o melhor que puder, faça de coração. Dedique-se ao que lhe convém com esmero e afinco, o mais lhe será acrescentado.
Jamais perca a oportunidade de hoje começar algo em sua vida. Faça!

O início do 200tão

Ás vésperas do evento “Loucos Hoje Lenda Amanhã” um giro de preparação de 150km, um giro na Laguna de Araruama á convite do grupo Hot Pedal. O interessante é que já estávamos voltando de um pedal com grupo Rota Bike Lagos de Vilatur/Saquarema.
Teria que ser apenas um giro sem fortes pedaladas ou algo do gênero. Mas a cabeça não pensa o corpo padece. Confesso que há um exagero de minha parte. Giramos até Arraial do Cabo e tomamos um banho de mar.
A Bike ainda estava suja do pré véspera pois havia feito um pedal de 105km, um giro na cidade sede e posterior em cidades vizinhas, recolhendo os patrocínios e apoios, fechando o pedal noturno com o Pedal das Nove/P9.
A Bike nesta altura do campeonato já era para estar no óleo… toda revisada e montada.
Na noite anterior começo a lavar lubrificar os componentes da mesma, noto algumas irregularidades, mas já é tarde, compromisso já estava marcado.
O grande dia chegou.
Às 4h o despertador do celular toca… vamos nessa. Um banho para despertar melhor o corpo e depois um copo de água para que os órgãos internos comecem a trabalhar. Passei um café, um gole e mais nada. Indecisão na escolha do que usar ainda…
Ligo para Arthur Casagrande, meu parceiro nesta jornada e fomos para o ponto de encontro.
Ás 5h em ponto começa uma tremenda experiência e vivência em cima de uma Bike. Serão 225km, que foi o total de pura euforia, técnica, força, controle emocional, alegrias e tristezas… mas com um final triunfante.
Pegamos os caminhos de Boa Vista, parte da Rota do 1° Desafio Bike Lagos, seguimos até o Mirante da Pedrina. Seguimos em direção a Florestinha e no final viramos á direita para atravessarmos a estrada de São Vicente para irmos em direção a Iguaba. Passamos em alguns percursos que lembrou o pedal da Lua Cheia e fomos em direção a Sapeatiba Mirim(café da manhã reforçado). Flexeira. Essa foi a estrada onde a corrente partiu-se e partiu meu coração… o nosso “mecânico” rapidamente solucionou o problema é seguimos viagem. Avistamos um eucalipteiro á nossa direita uns 20km, fomos em sua direção. Retornamos por onde viemos e seguimos em direção a 3 Vendas, lugar para hidratação.
Segue ou não segue para trevo Búzios, a Grisa foi o nosso destino. Subidas e descidas, tobogãs… chuva. Em direção a São Vicente de Paula, os primeiros pingos da chuva, que caía paulatinamente sobre nossas cabeças e transformando aquele pedal de 200km em algo tremendo…
Lama, cansaço, esforço maior do que o normal era exigido em cima da bike. Estávamos animados pois eram os 100km do Desafio. Se voltássemos pelo mesmo caminho que havíamos traçados até ali já teríamos os 200km.
Arthur Casagrande já estava eufórico, seus primeiros 100km desde que anda de bike fora concluído.
Retomamos alguns caminhos em direção a Morumbaí, Posse, Estrada da Cruz e do Café, Flexeira até João Borges… caímos do outro lado da Estrada de São Vicente em direção a Prodígio. Essa retomada foi a parte mais sacrificante do percurso: em baixo de chuva forte, relâmpagos e trovoadas. Ruas viraram rios e lagos transbordaram as margens.
Os gados nas fazendas, imóveis, nos alertavam dos perigos iminentes do tempo… 140km na conta… faltava 10km para os 150km para a próxima hidratação e queimar tudo até o 200km.
Foram os 10km mais demorados de todos: lama nas rodas, ruas de sabão, ruas com riachos no meio, tempo cinzento e trovoadas assustadoras na cabeça… psicológico abalado.
Um ciclista de Cabo Frio deu um socorro, estava em sua casa de campo… refrigerante, sacos para os celulares e aquela moral no descanso…
Em Prodígio, nova hidratação e restavam apenas 38km para fecharmos os tão aclamado 200tão.
Partimos. Uns metros à frente sinto a falta do peso nas costas, a mochila… perde-se 20 minutos ou mais em ter a posse da mochila(farol, lanternas, carregador portátil inválido, frutas e gatorade) novamente.
A noite fora o dia todo, devido ao tempo chuvoso e com aspecto muito escuro, mas o brio e a imensidão da noite chegará com força total. Aumentamos as forças no pedal para sairmos da área rural. Ao chegar no asfalto, 200km.

O final

Do Graal até o centro de Araruama foi em grande estilo. Com o apoio da Oficina Bike Lagos tivemos uma contenção com carro de apoio nos escoltando até o centro e com filmagens da chegada. A média nesse momento girava entre 35 a 40km/h.
Um grande filme passava em nossas cabeças… Loucos Hoje, Lenda Amanhã…
Em minha mente revisava toda trajetória como ciclista a menos de um ano, os benefícios que estava colhendo e transformação do meu estilo de vida.

Tudo começou no dia 28 de setembro de 2019. Dois dias depois de meu aniversário e minha chegada ao Brasil com uma bicicleta italiana mas a trouxe da Suíça. Foi o primeiro passeio na cidade de bike, só andava de carro para baixo e para cima, volta e meia umas caminhadas exageradas, tipo: Araruama/São Gonçalo; Araruama/Saquarema e por aí vai.
Andando pela cidade alguém me disse que teria um passeio na área de exposição na Pontinha. Segui até lá e a grande tenda estava armada… pedi informações de como seria o passeio… fiz a inscrição… passeio caro. Indagado de qual percurso gostaria de fazer, respondi imediatamente: 50km… esse passeio me custou todas as reservas de energias, mas foi algo surpreendente para mim. Na Suíça, do meu trabalho via a pista de mountain bike e o campeonato mundial rolando. Mas jamais imaginava andar de bike naquele estilo.
Achava aquilo uma doideira e preferia skiar de trenó, alta velocidade/carro… bicicleta jamais… nunca tivera uma desde a infância. Comprava para os filhos e nunca para mim.
Da Suíça trouxe logo duas tiradas do “lixo”, que para mim era e é luxo.
Participei daquele desafio como se fosse dentro de um filme, na verdade a extensão do que vivi na Suíça, país dos sonhos reais.
Dei tudo de mim de maneira tranquila e suave como se estivesse ainda na europa. Mente despoluição, respeito mútuo, educação correspondida, racismo zero… Um conto de fadas… assim fiz o percurso.
No final, após um passeio maravilhoso, ainda sem entender do que se tratava, fui agraciado pelo companheirismo e solidariedade que aquele pedal me proporcionara.
Lembro-me apenas de chorar como criança por ganhar um Bike e vários acessórios. Ganhei também bons amigos.
Que final de pedal… a vida passando como um filme em minha mente e algumas lágrimas derramei. Talvez este sonho, estas lembranças me deram garra para depois de 200km pedalar como se tivesse começado os 200tão.

Percebi que quando me dou com amor a resposta também é amor. O mundo fica mais bonito como os que vivi na Suíça e no Chile. Hoje esse Universo da bike não é diferente.
Gratidão!

Pedalzão do Ed. Aonde a Bike pode te levar.

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